quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Eólicas vão abrir 35 mil vagas no RN



Na contramão das demissões em massa em diversos setores da economia, os empreendimentos de energia eólica no Rio Grande do Norte devem gerar 35 mil novos empregos até 2019, em toda a cadeia produtiva. Os dados são do departamento de pesquisas do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (Cerne). Os cálculos têm como base a geração de 15 postos de trabalho para cada 1 megawatts instalado e a previsão de 2,3 gigawatts em projetos já contratados para os próximos três anos, com R$ 3 bilhões em investimentos neste período.

Para 2016, explica o diretor do Cerne Jean-Paul Prates, a estimativa é de 10 mil novos empregos diretos e indiretos na construção dos parques e nos setores do comércio e serviços presentes nas regiões do entorno das novas usinas. O potencial de geração de empregos do setor de energias renováveis, avalia Prates, é característico dos setores regulados, com a realização de leilões, projetos contratados e prazos a cumprir.

“Isso acaba gerando uma reserva de novos empregos em períodos de crise porque há investimentos definidos e já aprazados”, afirma. “E mais: um terço do investimento em parque eólico é gasto na economia local. Se temos projetados R$ 2 bilhões em três anos, ao final, a circulação na economia deve somar cerca de R$ 1 bilhão”, calcula.

Os novos parques serão erguidos na região do Mato Grande, Litoral Norte, onde já há geração, e nas chamadas “áreas de expansão da fronteira eólica” compreendidas em Serra de Santana e municípios da região Central, como Pendências Jandaíra e Lajes.



Em todo o país, a Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica) prevê 50 mil postos de trabalho na cadeia produtiva para com R$ 20 bilhões, somente este ano, em investimentos para 1.754 parques eólicos. No ano passado, foram gerados 40 mil empregos em toda cadeia.

O potencial de geração de empregos abrange a demanda global da cadeia produtiva da indústria eólica, explica a diretora executiva da Abeeólica, Elbia Gannoum. Os postos estão na fabricação de torres, pás, aerogeradores, obras da construção civil, fornecimento de insumos, manutenção e operação, até a abertura de novos negócios em hotelaria, restaurantes, comércio e prestação de serviços jurídicos, saúde nas cidades onde as usinas são instaladas.

“Como o RN é o principal gerador de energia eólica, o Estado é responsável por maior parte destes investimentos e por gerar o maior número de empregos, não apenas no Estado, mas na indústria eólica”, analisa a diretora executiva da Abeeólica, Elbia Gannoum.

O Rio Grande do Norte lidera o segmento com a geração de 2,4 gigawatts – a maior capacidade instalada de energia gerada por parques eólicos e a maior quantidade de turbinas eólicas em atividade. São 181 parques eólicos, dos quais 87 em operação, 29 em construção e 65 contratados.

Por Sara Vasconcelos
Da Tribuna do Norte